Um pouco mal educada
Um pouco dona da razão
Um pouco melancólica e saudosista
Um pouco egocêntrica
Um pouco centrista
Um pouco poeta
Um pouco menina
Um pouco confusa
Um pouco artista.

O que eu sou nada importa
O que eu escrevo é o que interessa.







Poesia: Arte & expressão

07/04/2009 15:33
E a menina que buscava o amor, e chorava sempre por não encontrá-lo mais, nem se deu conta quando cruzou com ele novamente.
Era inesperado. E ela sabia que seria assim. Quando a busca terminasse, o amor chegaria. Porque sempre chega o que não procuramos. É como deixar livre os caminhos, para quem possam todos caminhar por ele. Ela o fez assim com o coração: Deixou livre. E ele entrou.
A menina que procurava o amor encontrou! Agora, sente a barriga infestada de borboletas que voam coloridas dentro de si. Tudo que seus olhos veem são beleza, e o que sente, é como toque de seda. Ela espera vivê-lo bem, porque o amor é bom quando é vivido.
enviada por Bala de Goma



24/11/2008 22:13
E então de repente tudo fica silêncio e imóvel e eu tenho vontade de voltar à realidade em que estava vivendo. De repente pareço mergulhar numa loucura absurda e já não sei mais discernir as cenas que vejo. Já não reconheço o ireal, e tudo para mim é palpável como um limão azedo.
Fico parada olhando para o espelho e sentindo escorrer pela testa um suor sofrido. O pijama me gruda à pele,e faz-me sentir meu corpo quente e o coração que ainda bate acelerado. Olho em meu redor e o silencio faz um ruído monstruoso dentro de mim. É como se o silêncio me gritasse ao ouvido tudo que eu não desejo ouvir.
Ajeito mais uma vez o travesseiro, na esperança cega de que ele me traga conforto. Recolho meus cacos espalhados na imensidão do quarto escuro, e mergulho para a escuridão que há dentro de mim. Fecho os olhos.
As mãos suam e escorregam do lençol que ainda cheira a sabão. O pijama vai desgrudando. A testa seca. Minha boca se molha de uma saliva restauradora. O coração entra num compasso com o ambiente. Abandono-me na cama, que agora, parece me abraçar.
Durmo. E a noite corre como uma criança num parque de diversões.
enviada por Bala de Goma



03/11/2008 09:59
Era verão e as tardes quentes eram prenúncio da chuva que não tardaria cair. Olavo sentava na varanda todos os dias, e todos os dias, esperava aquele postal que nunca chegava. Passava dias,semanas,meses, até que passou um ano desde a partida de Anita, a moça dos olhos pretos.
O namoro não era aprovado, e por isso, o pai de Anita, militar reformado, dono de fazendo de gado, resolvera que melhor seria que a filha, ainda que vivesse triste, virasse freira, a casar-se com um "pé rapado". Com o coração ardendo no mais silencioso amor, a moça foi posta na charrete, e o pai, barbudo e sem coração, fez um aceno seco com um lenço amassado que guardava no bolso. O lenço nunca era usado, pois o homem era frio demais para chorar, e mal educado demais para o oferecer a qualquer dama que chorasse.Olavo, da varanda de sua casa, acompanhava a charrete desaparecer na estrada de terra, e entre soluços e lágrimas furtivas, dava adeus ao nada. Acenava ao nada,e Anita dentro de seu recolhimento,recebia o aceno do amado, como um vento que soprava em seu rosto.
"Prometo-lhe que assim que chegar,lhe escrevo, amor meu. Não demoro a me instalar na casa de uma tia solteirona, e dou logo um jeito de escrever-lhe." Com um sorriso mudo, Olavo olhou para o chão, beijou a mão da moça que agora tremia a dor da separação, e voltou-se para seu caminho. Anita ainda permaneceu alguns minutos parada,e acompanhou o doce jovem sumir na estrada.
Passaram-se anos e Olavo, naquela ânsia ainda fresca, esperava todos os dias por notícias que o mensageiro, em sua ingênua crueldade, não trazia. Quando, por acaso, encontrava com o fazendeiro de olhar duro, Olavo tratava de abaixar a cabeça e seguir seu caminho. Chegou a pensar em perguntar-lhe da filha, mas acho que seria afronta demais,e por isso, foi deixando que o tempo passasse, e que ficasse somente a lembrança de um amor antigo.
Olavo nunca casou-se. A carta nunca chegou. Ainda velho, já sem a mãe e sem o irmão, Olavo sentava-se à varanda todos os dias. Chuvas vinham, iam, e lá estava ele, em sua resignada esperança. Anita nunca voltou ou escreveu-lhe.
enviada por Bala de Goma



03/09/2008 22:11
Querendo ser boa
Pareci pequena
Tentando ser adulta
Não consegui ser criança

Querendo aprender mais
Não aprendi direito
Tentando olhar pra frente
Não enxerguei o agora

Querendo tudo
Acabei sem nada
Tentando acertar sempre
Não fiz sempre o melhor

Querendo ser melhor
Deixei de ser quem sou
Tentando inovar
Parei no tempo

Equanto tentei,
nunca fui.
Enquanto quis,
Nunca tive.
enviada por Bala de Goma



19/08/2008 00:32
Porque negando-me
me assumo absurdamente
Vacilo quando ando
Gaguejo quando falo

Porque negando-me
Nego todo meu amor
Todo meu amor
que lhe entreguei às cegas

Porque invento uma realidade
Vivo numa mentira mesquinha
Esqueço toda a verdade
E sou feliz

Sou feliz?

Porque negando-me
Nego sua vaga existência
Medíocre existência
E sem você no universo
Aceito a solidão vasta

Aceito caminhos escuros
Acredito em fada madrinha
Acho toda explicação pra vida

Porque,ao negar-me
Esqueço quem sou.
E negando-lhe esqueço
Sua invalidez humana.
enviada por Bala de Goma



13/08/2008 22:36

Partido

E de repente você surgiu feito uma faísca caída de uma fogueira. Você me trouxe calor, me deu ânimo e cor, e me deixou com vontade de viver.Com você vivi sonhos impossíveis. Provei sabores desconhecidos, e num lençol branco, fui feliz. Fui coloridamente feliz.
Com você nunca soube a hora de partir, nem o momento de chegar. Toda hora era sempre.E eu,na bagunça do relógio sem ponteiros, me perdi.Te perdi e gritei. Já não tinha ninguém pra me ouvir.
Procurei em vão por toda parte, achar seu sorriso de maluco, que me devolvia a paz, e me perdi. E não achei. E grite. Mas já ninguém me ouvia. E aí, sai pelo mundo a sua procura, e já não mais o encontrei.
E de repente, minha felicidade colorida, foi tornando-se cinza e eu parei. Parei de sorrir, e comecei a contar o tempo. Porque longe de você o mundo é essa normalidade chata, e a hora passa e o dia corre.
De repente, você partiu para a eternidade do mundo, e deixou meu peito, aberto em chagas sem cor.
enviada por Bala de Goma



01/08/2008 13:41

Escuridão

A noite fazia-se calma. O silêncio na rua,atormentava a menina,que no escuro do quarto frio,ainda não adormecera.
Olhando para o teto escuro, ela pensava no pássaro do seu amor que voou. Tentando,dentro de si,arrumar uma resposta para as coisas do coração,a menina enfim,calada,questionou-se:"Acaso,ainda tenho coração?". Já não o sentia mais. Já havia esquecido como era sentir um frio quase mortal no estômago,e desejar incessantemente aquela pessoa. Já esquecera como era ter brilho nos olhos.Não o tinha.
Lá fora foi-se dando luz à vida,e o ruído começa a anunciar que a cidade está acordando.
Pelas arestas da janela, a menina recebe os primeiros raios do sol. E percebe. Percebe que mais uma noite não dormiu. Percebe que mais um dia chegará e findará sem que ela sinta o amor novamente.
enviada por Bala de Goma



29/07/2008 20:04

Elo perdido

Você é meu elo perdido
Entre o sonho e a realidade.
Em você esqueço do tempo
Dos meus medos e me entrego.

Não tenho medo de perder-me
De errar e erro.
Fecho os meus olhos
E pra você sou outra.

Esqueço o dia e a noite,
Ignoro frio e chuva.
Busco seu sorriso
Em cada vão segundo.

Meu coração apertado
Bate desconpasado
Quando pensa em vocÊ.
Por você,sou outra.

Me engano,quando lhe imagino.
Ignoro a realidade quando lhe desejo.
Esqueço que você me é alheio,
E pra você,só tenho segredos.
enviada por Bala de Goma



22/07/2008 01:42

Fim de noite


Naquela noite,
Meus lábios encontraram os seus.
Saíram de nós, estrelas cadentes.

Eu não disse nada.
Você não disse nada.

E nossas bocas, no encaixe perfeito
Falaram mudas entre si.

Existem coisas que palavras
Não dizem e não sabem dizer.

Quando, naquela noite
Nossos lábios se tocaram,
Uma estrela cadente passou no céu,
E nós não desejamos nada
Além daquele momento.
enviada por Bala de Goma



18/07/2008 18:28

Eu desejo



Eu desejo que você encontre uma companhia, e que ao lado dela, sinta o tempo escorrer por entre os dedos. Que ela te leve às nuvens e ao inferno ao mesmo tempo, e que lhe mostre a dualidade entre o amor e o ódio.
Desejo que você construa impérios,castelos e palácios, mas que saiba que toda felicidade pode viver dentro de um pequeno casebre.
Desejo que você saiba reconhecer que um dia de sol é tão abençoado quanto um dia de chuva. Que entenda que existem coisas sem explicação, amores sem explicação.
Desejo que você perdoe ao próximo e a si mesmo por errar. Que erre tanto quanto for necessário até aprender alguma coisa. Que passe pela vida e viva. Que desfrute de muitos sabores, muitos cheiros e perfumes.
Desejo que você prove todos os abraços até achar os braços certos pra te abraçarem. Que você beije muitas bocas,mas que uma delas lhe beije até você perder os sentidos. Desejo que você se apaixone todos os dias. E que se apaixonando sempre,descubra que melhor é apaixonar-se todos os dias pela mesma pessoa.
Desejo que você construa sua família e que dê a ela todo amor do mundo,mesmo aquele amor que você nunca recebeu. Que você sorria com coisas bobas, chore com coisas mais bobas ainda, e sinta o prazer de estar vivo.

Eu desejo que você viva, e que descubra que viver é um grande presente!!!

**A vida é um eco. Se você não gosta do que ouve, preste atenção no que fala!
enviada por Bala de Goma



14/07/2008 19:54

Eternamente em mim

Hoje eu acordei sentindo sua falta. Como é que não vou mais ouvir sua voz?! Como entender que não sentirei mais seu cheiro, e que você não me tocará mais!?

Hoje acordei querendo achar que tudo não passara de um sonho, e que, assim que o sol subisse ao céu, você estaria onde sempre esteve: aqui.

Pedi a Deus que me tirasse dessa realidade e me devolvesse sua companhia. Que me transportasse desse mundo e me repousasse perto de você.

Hoje, lembrando de sua imagem, da última vez em que lhe vi, quis que o tempo tivesse ficado imóvel. Desejei que o tempo em que eu era criança voltasse, e me devolvesse a sensação de que tudo em nossa vida é eterno, assim como a presença das pessoas.

Eu me pergunto constantemente como é que vai ser?! Existem coisas que ninguém fará como você... Ninguém para mim será o que você foi, e hoje choro porque não lhe verei mais.

De agora em diante, vivo pelo momento em que irei me encontrar com você. Com o momento em que minhas dores se curarão,os medos terão fim e toda minha saudade será findada.

Agora, viverei lembrando de você, guardando cada momento dentro de mim, e sentindo sua falta a cada minuto que meu pulmão se enche de ar.

Hoje acordei sentindo sua falta, vó.


enviada por Bala de Goma



22/06/2008 13:29
E desde que você apareceu
Em vão,
Completamente em vão,
Você mora em meus poemas.

Desde então,
Você é rima,
Estrofe e verso.

Confesso:
Você mora entre versos,
E apenas entre versos
Quero que fique.
enviada por Bala de Goma



29/04/2008 21:54
Porque o grito já ficou banal
Ninguém liga,
Ninguém ouve,
nem dá de ombros.

Aquela memória que
Te retorna à criança,
Já não funciona mais.
Todo mundo percebeu que
Você cresceu,
Tanto que não precisa mais
De rodinhas na bicicleta.

Ninguém mais acredita
No seu medo de escuro
Nem na sua voz infantil
Nem na sua manha cotidiana.

Crescer cumpre o destino
Leva-o para caminhos,onde,
Caminhar sozinho não é opção;
Onde a lição de casa é obrigatória
E ninguém lhe dá pontos por fazê-la.

Ide!
Cresça!
Seja gente!
enviada por Bala de Goma



24/04/2008 01:28

E tudo vai embora

Você me olha e tudo vai embora.
Você me transforma.
Tira meu centro,
Me tira o foco.

Por favor, não me arrase
Não me acabe.
Me largue inteira.
Eu ainda preciso de mim.

Isso...
Me beija o rosto
Me Poe pra dormir.

Você me olha, e tudo,
Estranhamente,
É silêncio

enviada por Bala de Goma



17/04/2008 16:12
Amo-te com um desejo ardente
e secreto
Amo-te com toda a força
e clemência.

Desejo-te com todo o coração
e alma
Desejo-te inteiro
e meu.

Amo-te de um jeito meu,
de um jeito menina,
de um jeito particular.

Daquele jeito meu,
Daquele jeito que te desmonta
Que te tira as palavras,
o fôlego, o ar...

Amo-te,
E isto basta.



enviada por Bala de Goma






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